Adeus às fraldas
December 7th, 2008
Ano passado, quando Lara completou 2 anos, a pediatra achou que deveríamos ir tentando o desfralde. Começamos a tirar a fralda durante o dia, mas as tentativas não passaram de dois dias, pois a baixinha começou a prender o xixi e o cocô, chegando a ficar um dia inteiro sem fazer nada, e chorando muito com dor. Não hesitei em devolvê-la às fraldas, achando que não era o momento certo de desfraldar, e assim ela seguiu tranquila durante todo esse ano.
Eu sempre acreditei que cada criança tem seu tempo, e achei mais prudente esperar que ela própria me desse sinais de que já era a hora, sem pressa.
Agora, finalzinho de novembro, a professora da Lara me chamou pra dizer que ela não queria mais ficar de fralda na escola (nenhum amiguinho usa fralda) e eu falei que a deixasse de calcinha que nós também faríamos o mesmo em casa.
O processo seguiu tranquilo (ela só fez xixi na calcinha umas duas vezes) e de repente nem xixi à noite Lara fez mais. Pronto, adeus às fraldas sem traumas, sem sofrimento e no tempo dela.
Confesso que fiquei meio espantada de como o processo foi rápido e tranquilo, mas aí recebi por e-mail um trecho do livro “A auto-estima do seu filho”, de Dorothy Corkille Briggs, que me fez entender direitinho tudo o que aconteceu.
Transcrevo aqui, para quem mais precisar de luz nesse assunto:
“Muitas pessoas receiam que a regressão temporária detenha o crescimento. Achamos que jamais conseguirão crescer se não estiverem avançando. Por mais estranho que pareça, temos confiança na capacidade das plantas de crescerem. Colocamos a semente num clima propício e acreditamos no pótencial que lhe permite desenvolver-se no seu próprio tempo, a seu modo. Atrasos no crescimento, ou algumas folhas murchas, não nos preocupam. Se alguma coisa nos parece errada, examinamos as condições que cercam a planta. Mas não a puxamos, nem tentamos distender as suas folhas.
Às vezes temos menos fé na capacidade de crescimento de nossos filhos do que de nossas plantas. Pressionando, insistindo e proibindo, procuramos forçá-los a crescer. Quando não há progresso, voltamos nossa atenção para as crianças e não para o clima que as envolve. Esquecemos que, como a semente, cada criança tem seu ritmo de crescimento.
(…) O crescimento não é uma progressão pronta, para frente e para cima. É um caminho sinuoso: três passos à frente, dois para trás, um para os lados, uns poucos momentos parados antes de um outro salto à frente.
(…) Todo crescimento implica numa incerteza. “Como será isso?”, “Será perigoso?”, “Haverá problemas se eu fizer isso?”. Caminhar na direção do desconhecido pode transformar-se em ansiedade. A criança que se sente segura em poder recuar precisa de muito menos coragem para aventurar-se porque seu caminho de volta não foi bloqueado.
A opção do recuo sem desonra torna a criança mais capaz de enfrentar o desconhecido.
(…) Isso quer dizer que você deve adotar uma atitude passiva e não fazer nada em relação ao crescimento? Não, absolutamente. Introduza novas experiências atraentes quando parecer que a criança está praparada. Estimule-a, gentilmente, a enfrentar situações novas. Mas ao mesmo tempo, respeite a sua preferência no caso dela rejeitar ou recuar. Forçar o crescimento apenas faz com que a criança se apegue ainda mais ao que é antigo… O respeito ao padrão de crescimento da criança, e à sua necessidade de segurança, é prova concreta de amor.”
Preencha abaixo: Lara
4 Comentario Adicione o seu
1. K | December 8th, 2008 at 10:43 am
Pois é, Carla, mas eu sou a rainha da teoria.Pra você ter uma idéia ,fico azucrinando o Jujuba porque ele não lê ainda, mesmo sabendo que cada criança tem seu tempo e que saber ler não é necessariamente sinal de ser mais ou menos inteligente.
Mas parabéns pra Larinha,muitos beijinhos nela por mais essa conquista.
2. Bárbara | December 9th, 2008 at 1:16 pm
êêê Carlinha! parabéns pra vcs!!
Não tem preço isso, né?!
O Theo faz 15 dias que faz cocô todos os dias no vaso sem remédios. Acho que agora posso comemorar o término do desfralde definitivamente!
Beijos
Babi
3. Rê | December 12th, 2008 at 10:20 am
Que bom que a Lalá desfraldou Carla e parabéns pelo seu discernimento em saber esperar o momento certo.
Em casa acho que vai acontecer igual a Lalá, a Mariana ainda não está preparada e eu estou tentando esperar o tempo dela.
beijos,
Rê
4. Claudia Medeiros | December 12th, 2008 at 12:16 pm
Então, Carla, eu até tentei desfraldar o Pedro Henrique mas desisti, ele tb estava segurando demais e quando fazia era sempre na roupa. Vou tentar mais pra frente, quem sabe dá certo.
E que graça a Lara desfraldada, uma mocinha praticamente! Parabéns pra vcs.
beijos
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