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Há algum tempo atrás, precisamente no dia 10/12/2004, eu postei uma receita de menino, muito lindinha por sinal. Dali pra cá muitas águas rolaram na minha vida, e hoje, além do Arthur, também tenho minha mocinha, a Lara. Então, pra que tudo fique bem balanceado, lá vai uma receita de menina, tão encantadora quanto a outra:
O QUE É UMA MENINA
Muita atenção que vou dar uma receita de menina.
Para se fazer uma menina, toma-se uma xÃcara de felicidade, dois botões azuis, pétalas de rosa, um pouco de glacê, um punhadinho de areia, três conchinhas róseas, uma colherada de imaginação. Acrescenta-se também um pouquinho de sal e muito açúcar e mel, uma casquinha de sorvete, o dengo de um gatinho novo e três gotinhas de perfume.Â
Não esquecer de um espelhinho prateado, pois uma menina é, antes de tudo, mulher, e logicamente vaidosa.Â
É importante acrescentar uma borboleta amarela, muita inocência e um dedinho com band-aid.Â
Recolha com cuidado uma gotinha de orvalho, o brilho de uma jóia, todos os matizes de um quadro de Renoir, uma pitada de sonho e muito carinho.Â
Consiga um pouquinho daquela brisa que sopra do mar, uma colherinha da luz das estrelas, um sorriso inesperado, o ruÃdo de uma onda na praia e deixe tudo isso ao luar.Â
Misture tudo e acrescente muita ternura e amor, um pouco de teimosia e muita curiosidade, uma lágrima e duas asinhas de beija-flor.Â
É assim que são feitas as meninas.Â
São as coisinhas mais lindas que existem na terra, são muito frágeis e ao mesmo tempo fortes e resistentes.Â
Com apenas uma lágrima comovem o mais duro dos corações, pois ninguém resiste a um pedido acompanhado de um beijo molhado.Â
Uma menina parece que nasce sabendo que terá a responsabilidade de alegrar, suavizar e colorir a vida.
MARIA LÚCIA BECATTINI MIRANDA
April 23rd, 2007
Hoje, ao sair de casa após o almoço, para levar os meninos à escola, Lara avistou a avó e foi correndo em sua direção. Minha sogra estava com umas garrafinhas d’água nos braços, e Larinha logo pediu uma. Agarrou a garrafa e não deixou mais ninguém tirar dela.
***
- Mamãe, eu quero água! - gritava Arthur de um lado.
- Não!! - gritava Lara do outro, agarrada na garrafa.
E assim foi o caminho inteiro até a escola.
***
Chegamos na escola, e eu tive que arrancar a garrafa das mãos da Lara, sob protestos (choro), pra poder tirá-la da cadeirinha do carro. Entreguei a garrafinha ao Arthur, pra ver se distraÃa a pequena, e consegui levar a Lara pra sua salinha. Depois fui levar Arthur pra sua sala.
- Tchau, filho! Me dá a garrafa!
- Não, eu quero beber!
- Filho, tem água aqui na escola. Me dá logo essa garrafa que eu já estou ficando com raiva dela!
***
Estaciono o carro no trabalho. Pego a minha bolsa, a agenda e olho pra garrafinha. Penso se devo levá-la… se não…  vai ficar muito quente aqui no carro. Levo.
***
Ao entrar na minha sala de trabalho, com a bendita garrafa na mão, ouço um burburinho e logo alguém me olha e fala:
- Você veio prevenida, heim! Não temos um pingo d’água aqui pra beber!
April 10th, 2007
Recebi esse texto de uma amiga querida que conheci pelos meus passeios virtuais, a Karin, e gostei tanto que estou colocando ele aqui pra todo mundo poder ler. E tenho a acrescentar que apesar de tudo o que ser mãe significa - as boas e as más experiências - eu não me arrependo nem um pouco da minha escolha.
ANTES DE SER MÃE
“Antes de ser mãe eu fazia e comia os alimentos ainda quentes.
Eu não tinha roupas manchadas.
Eu tinha calmas conversas ao telefone.
Antes de ser mãe eu dormia o quanto eu queria e nunca me preocupava com a
hora de ir para a cama.
Eu não me esquecia de escovar os cabelos e os dentes.Â
Antes de ser mãe eu limpava minha casa todo dia.
Eu não tropeçava em brinquedos nem pensava em canções de ninar.
Antes de ser mãe eu não me preocupava se minhas plantas eram venenosas ou
não.
Imunizacões e vacinas eram coisas em que eu não pensava.
Antes de ser mãe ninguém vomitou nem fez xixi em mim, nem me beliscou sem
nenhum cuidado, com dedinhos de unhas finas.
Antes de ser mãe eu tinha controle sobre a minha mente, meus pensamentos,
meu corpo e meus sentimentos.
… eu dormia a noite toda…
Antes de ser mãe eu nunca tive que segurar uma criança chorando para queÂ
médicos pudessem fazer testes ou aplicar injeções.
Eu nunca chorei olhando pequeninos olhos que choravam.
Eu nunca fiquei gloriosamente feliz com uma simples risadinha.
Eu nunca fiquei sentada horas e horas olhando um bebê dormindo.Â
Antes de ser mãe eu nunca segurei uma criança  por não querer afastar meu
corpo do dela.
Eu nunca senti meu coração se despedaçar quando não pude estancar uma dor.
Eu nunca imaginei que uma coisinha tão pequenina pudesse mudar tanto a minha vida.
Eu nunca imaginei que pudesse amar alguém tanto assim.
…e não sabia que adoraria ser mãe.
Antes de ser mãe eu não conhecia a sensação de ter meu coração fora do meu
próprio corpo.Â
Eu não conhecia a felicidade de alimentar um bebê faminto.
Eu não conhecia esse laço que existe entre a mãe e a sua criança.
Eu não imaginava que algo tão pequenino pudesse fazer-me sentir tão
importante.
Antes de ser mãe eu nunca me levantei à noite a cada 10 minutos para me
certificar de que tudo estava bem.
Nunca pude imaginar o calor, a alegria, o amor, a dor e a satisfacão de serÂ
uma mãe.
Eu não sabia que era capaz de ter sentimentos tão fortes.
Por tudo e, apesar de tudo, obrigada, Deus, por eu ser agora um alguém tão
frágil e tão forte ao mesmo tempo.”
(Autor Desconhecido)
March 6th, 2007
O texto abaixo é da Martha Medeiros, escritora gaúcha e colunista dos jornais Zero Hora e O Globo. Decidi publicar ele aqui porque tenho visto pessoas com essa grande dúvida na vida: ser mãe ou não ser. Espero que a reflexão possibilitada pelo texto possa ajudar a essas pessoas.
Maternidade ou não - Martha Medeiros
Semana passada me telefonaram de um jornal para pedir um depoimento sobre mulheres que decidiram não ter filhos. Queriam um testemunho curto e rápido. Sobre um tema tão intenso? Fui curta e rápida, mas agora vou me estender.
Tenho duas filhas planejadas e amadas, que nunca me provocaram um segundo sequer de arrependimento. Mas nunca fui obcecada pela maternidade. Acredito que qualquer mulher pode ser feliz sem ser mãe. Existem diversas outras vias para distribuirmos nosso afeto, diversos outros interesses que preenchem uma vida: amigos, trabalho, paixões, viagens, literatura, música — até solidão, se me permitem a heresia. Conheço mulheres que se sentem Ãntegras e felizes sem ter tido filhos, e mulheres rabugentas que tiveram não sei por quê, já que só reclamam. Há de tudo nesta vida.
Mas tenho pensado nesta questão porque, dia desses, uma amiga inteligente, realizada e linda completou 50 anos e se revelou meio abatida por certos questionamentos que chegaram com a idade — uma idade que está longe de ser das trevas, mas que é emblemática, não se pode negar. Ela nunca quis ter filhos. Escolha, não impossibilidade. Tem uma vida de sonho, mas ela anda se perguntando: não tive filhos, será que fiz bem?
Ninguém tem a resposta. Mas é fácil compreender o dilema. Quando entramos nos 30, o relógio biológico exige uma decisão: ter ou não? Algumas resolvem: não. Criança dá trabalho, criança demanda muita atenção, criança é dependente, criança interfere no relacionamento do casal, criança dá despesa, criança é pra sempre. Tudo verdade, a não ser por um detalhe: crianças crescem. Crianças se transformam em adultos companheiros, crianças são quase sempre nossa versão melhorada, crianças herdarão não apenas nossos anéis, mas nossos genes, nosso jeito, nossa história, e isso é explosivo, intenso, diabólico, fenomenal. Aos 30, só pensamos na perda da liberdade, mas, aos 50, conseguimos finalmente entender que a maternidade é muito mais do que abnegação, é uma aposta no futuro. Depois dos anos palpitantes e frenéticos da juventude, chega uma hora em que deixamos de pensar apenas no lado prático da vida para valorizar as conquistas emocionais, que são as que verdadeiramente nos identificam.
Não estou fazendo apologia da maternidade, sigo acreditando que todas as escolhas são legÃtimas. Mas optar por não ter filhos não é algo trivial. É uma experiência profunda de que abriremos mão de vivenciar. É uma emoção que transferiremos para sobrinhos sem jamais saber como seria se eles fossem gerados por nós — ou adotados, o que dá no mesmo. Vale a pena desprezar este investimento de amor? Um investimento que, diga-se, é uma pedreira muitas vezes, não é nenhum mar de rosas? Nessas horas é que faz falta uma bola de cristal. O problema é se a dúvida vier nos atazanar mais adiante. A gente nunca sabe como teria sido se… É por isso que, neste caso, compensa queimar bastante os neurônios antes de decidir. Não dá para pensar no assunto levando-se em conta apenas o momento que se está passando, mas o contexto geral de uma vida. Porque não ser mãe também é para sempre.
September 22nd, 2006
Essa semana, precisamente dia 28/06/2006, teve encontro Mothern em BH. Olha nós aÃ:

Da esquerda pra direita: a Ju, a Laura, eu, a LetÃcia, o André (marido da LetÃcia), a Meg e a Dani BH. Em pé, a Fefê e a Renata.
O local foi super agradável e as conversas, incrÃveis. Demos boas risadas! Agora só falta repetir a dose!
June 30th, 2006